A Cura em Mim
Missão maior, destino mais preciso,
Encontrar a cura em nós!
Então, a vida tece encontros, laços e nós,
Aperta-os doridamente!
Carregamos em nosso DNA
Segredos de talentos e tibiezas que atrairão
As vivências imprescindíveis
Para os enfrentamentos inevitáveis
Transmutando-os,
Chamando à voz interior.
Onde o medo deve ser miragem,
Pois é nele,
Que a força do ego enfraquece a alma.
Assim, o ego se perde, na rota do sol.
A luz do farol que nos leva ao amor.
A quem salvar?
Salvar o mundo, ilusão em mim,
Curar a alma, jardim em mim.
O Outro é anjo, espelho de mim,
Sombra e luz, Narciso em mim.
Não há uma missão em salvar,
Um outrem qualquer
Mudar e curar aquele que é,
Inefavelmente, sEU único antídoto para a cura.
Então, permito o olhar, sem véu ou temor,
Do Outro como espelho de mim
E permito olhar a dor
Para que a luz ilumine a escuridão,
E a cura chegue até a mim!
A existência humana, em sua complexidade, frequentemente nos lança em busca de um propósito maior, uma missão que transcenda o cotidiano. No entanto, a sabedoria interior nos aponta para uma verdade essencial: a única missão genuína que carregamos ao habitar este planeta é a realização da autocura. Este processo não se configura como um objetivo secundário, mas sim como o cerne de nossa jornada, o fio condutor que permeia todas as experiências.
A vida, em sua infinita sabedoria, orquestra um fluxo contínuo de vivências e relacionamentos, projetados para catalisar esse processo de cura. Nosso próprio ser, inscrito em nosso DNA, armazena um mapa intrincado de potenciais e vulnerabilidades, atraindo magneticamente as circunstâncias necessárias para confrontarmos e transcendermos as sombras que obscurecem nossa luz interior.
A autocura, em sua essência, desvela-se como um ato de libertação. É o abandono da ilusão paralisante do medo e a aceitação incondicional do amor como bússola interna. Essa simplicidade fundamental, paradoxalmente, encontra resistência no ego, que tece uma teia de pretextos mentais, desviando-nos da verdadeira direção.
Um dos maiores obstáculos à autocura reside na projeção externa de nossa missão. Acreditamos erroneamente que nosso propósito está na salvação do mundo ou na cura dos outros, negligenciando o campo de batalha primordial: nosso próprio interior. Essa inversão de papéis nos torna prisioneiros em um ciclo de interferência, tentando moldar o outro à nossa imagem, enquanto o verdadeiro chamado se encontra na transformação interior de nós mesmos. Essa distorção cria emaranhados cármicos que perpetuam a roda de nascimento e morte (samsara).
O universo, em sua generosidade, providencia os recursos dos quais nos serão úteis para nossa jornada de autocura. Recebemos o sustento material, a vocação e as conexões interpessoais que nos oferecem o terreno fértil para o autodesenvolvimento. Cada indivíduo que cruza nosso caminho, mesmo aqueles que percebemos como antagônicos, assume o papel de mensageiro, revelando aspectos ocultos, negligenciados ou negados em nosso mais profundo ser.
Portanto, a chave para a transformação reside em uma mudança radical de perspectiva. Devemos reconhecer que o outro funciona como um espelho, refletindo as áreas de desconforto e sombra que clamam por nossa atenção. Ao nos permitirmos contemplar essas imagens refletidas, convidamos a luz da consciência a dissipar a escuridão, inaugurando o processo de cura em sua plenitude.
Com isso, meus caros, diante destas perspectivas, eu os provoco à reflexão: Como pretende avançar em sua autocura? O que te move para a sua autocura?
